Meu deus, o que tem acontecido comigo? Olho para meus papéis e só tem rascunhos. Notas, frases soltas. Desconexas. Ou será que há nelas o mínimo de coerência?! Como pode? As últimas coisas que escrevi acabam amassadas no meu fichário ou em pastas e sempre incompletas. Será então um sintoma de mim? Deus, será que sou assim?
- Não, você não tem nada de incompleto ou amassado. Só está um pouco sem ter o que escrever...
Tudo bem. Vou transformar isso em um diálogo para soar melhor. Assim não pareço uma louca a resmungar sozinha pelos cantos. Estou acompanhada, por um amante da boa leitura. E por uma barra de chocolate meio amargo, ah, como eu gosto de chocolates. Numa varanda de frente pro mar, apreciando o nascer do Sol. Muito bom!
- Como sem ter o que escrever? E agora? É isso que me trazia paz, satisfação pessoal, ânimo pra viver... Eu vivo disso! E Então quer dizer que agora não tenho como viver.
- Não é isso, o problema é que você não se concentra e está muito exigente. Seus textos já foram bem melhores e os assuntos bem mais simples. Se tentar enfeitar muito dá errado. Ou se tentar falar alguma coisa que você não sabe, pior ainda.
- Então quer dizer que devo escrever só sobre algo que sei?
- É o que se espera, não? Ou você quer dissertar sobre a vida de índios da cara pintada no Sul do Oriente Médio?
- Não, você não tem nada de incompleto ou amassado. Só está um pouco sem ter o que escrever...
Tudo bem. Vou transformar isso em um diálogo para soar melhor. Assim não pareço uma louca a resmungar sozinha pelos cantos. Estou acompanhada, por um amante da boa leitura. E por uma barra de chocolate meio amargo, ah, como eu gosto de chocolates. Numa varanda de frente pro mar, apreciando o nascer do Sol. Muito bom!
- Como sem ter o que escrever? E agora? É isso que me trazia paz, satisfação pessoal, ânimo pra viver... Eu vivo disso! E Então quer dizer que agora não tenho como viver.
- Não é isso, o problema é que você não se concentra e está muito exigente. Seus textos já foram bem melhores e os assuntos bem mais simples. Se tentar enfeitar muito dá errado. Ou se tentar falar alguma coisa que você não sabe, pior ainda.
- Então quer dizer que devo escrever só sobre algo que sei?
- É o que se espera, não? Ou você quer dissertar sobre a vida de índios da cara pintada no Sul do Oriente Médio?
- Não, nem sei se tem índios nesse lugar.
- Então pronto. Fale sobre o que você sabe.
- Mas eu não sei de nada. Nem nada sei. Ou melhor, só sei que nada sei. Não foi Sócrates quem disse isso? Aí, ó, também não sei. Céus, que terrível.
- Então fala sobre amor. Amor sempre dá certo.
Agora ele me vem com esse papo de amor. Até parece. Ainda mais dizer que sempre dá certo. Tem vezes que nem dar dá.
- Não sei falar sobre amor e se eu não sei, não tenho como escrever. Além do mais, puta assunto batido. Quantos não são os que falam de amor? Qualquer música sertaneja, qualquer propaganda de perfumes.
- Propagandas de perfumes não falam sobre amor. Falam mais sobre pegação, instintos animais e tal. Por que você não fala sobre a natureza?
- Impossível. Já nem tem mais natureza por aí. Estão acabando com tudo.
- Impossível é você, pelo que eu estou percebendo. Se você preferir, fique quieto. Melhor assim, para evitar falar besteiras.
- Você acha que eu falo muita besteira?
- Um pouco.
- Então posso continuar falando até que você ache que eu fale muita?
- Não.
Depois dessa, calei a boca, terminei meu chocolate e fui dar um mergulho na praia. Não dá pra discutir com ele.
- Mas eu não sei de nada. Nem nada sei. Ou melhor, só sei que nada sei. Não foi Sócrates quem disse isso? Aí, ó, também não sei. Céus, que terrível.
- Então fala sobre amor. Amor sempre dá certo.
Agora ele me vem com esse papo de amor. Até parece. Ainda mais dizer que sempre dá certo. Tem vezes que nem dar dá.
- Não sei falar sobre amor e se eu não sei, não tenho como escrever. Além do mais, puta assunto batido. Quantos não são os que falam de amor? Qualquer música sertaneja, qualquer propaganda de perfumes.
- Propagandas de perfumes não falam sobre amor. Falam mais sobre pegação, instintos animais e tal. Por que você não fala sobre a natureza?
- Impossível. Já nem tem mais natureza por aí. Estão acabando com tudo.
- Impossível é você, pelo que eu estou percebendo. Se você preferir, fique quieto. Melhor assim, para evitar falar besteiras.
- Você acha que eu falo muita besteira?
- Um pouco.
- Então posso continuar falando até que você ache que eu fale muita?
- Não.
Depois dessa, calei a boca, terminei meu chocolate e fui dar um mergulho na praia. Não dá pra discutir com ele.
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